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quinta, 23 de setembro de 2021
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Médica do ES explica por que o câncer é uma doença que pode voltar

Médica do ES explica por que o câncer é uma doença que pode voltar

O câncer é uma doença que pode voltar mesmo após um tratamento bem-sucedido realizado com cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. O risco varia de acordo com o tipo de tumor, seu tamanho e seu estágio. Isso significa que depois de um prazo de cinco anos, a lesão pode atingir novamente o local já tratado com sucesso ou se espalhar por outros órgãos.

O alerta é da médica radioterapeuta Anne Karina Kiister Leon, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), que destacou a importância de um acompanhamento correto para saber se o câncer voltou a se manifestar no organismo. Esta fase, em geral, envolve consultas, exames de sangue e de imagem.

“Mesmo depois de cinco anos, o tumor pode voltar. Costumamos dizer que o paciente deve seguir seu acompanhamento com o médico  oncologista por muitos anos. Ele precisa ser avaliado anualmente como um todo. Às vezes, a doença demora para voltar. Se a pessoa faz consultas e exames periódicos, é possível detectar de forma precoce e ter mais chances de tratamento de forma curativa”, afirma Anne Kiister.

 

Por que o tumor volta?

Segundo a médica, mesmo após um tratamento dar certo, a doença pode retornar. Isso ocorre porque após a eliminação da lesão, células adormecidas (chamadas quiescentes) podem voltar a se dividir e a crescer.

“Não se sabe por que isso acontece, muitas vezes surge espontaneamente, sem que a sua origem seja conhecida, mas o fato é que quando essas células entram em atividade, o tumor volta, podendo ocorrer no mesmo local ou em outra parte do corpo”, explica a radioterapeuta.

Nem sempre o tumor retorna no mesmo local. De acordo com a especialista, na grande maioria das vezes, tanto para homens quanto para mulheres, a lesão aparece em outros órgãos.

Os médicos costumam chamar esse retorno do câncer de recidiva. Segundo Anne Kiister, o fato de a doença voltar não significa que ela se manifestará de forma mais forte.

“Não necessariamente a recidiva é ruim. É pior no sentido de que abala o lado psicológico da pessoa que já tratou a doença, achava que estava curada e de repente o câncer voltou. Mas pode ser um retorno local, com possibilidade de tratamento, de forma que o paciente permanece com uma sobrevida sem novo aparecimento do tumor”, disse.

 

Acompanhamento

Segundo Anne Kiister, quando um tratamento termina, o retorno do paciente ao oncologista pode ocorrer a cada três meses ao longo do primeiro ano. Depois dessa fase, pode passar para a cada seis meses. Tudo vai depender do resultado dos exames, dos sintomas e da condição física do paciente de voltar ao consultório.

Mesmo com acompanhamento, há casos de pessoas que já trataram câncer há mais de 10 anos e que voltaram a manifestar a doença.

“Tenho um paciente que depois de 11 anos de feito um tratamento, o câncer voltou. Por isso, é importante fazer o acompanhamento correto com o oncologista e ficar atento às alterações do corpo para poder investigar o mais rápido possível”, destaca.