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tera, 13 de janeiro de 2026
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Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte I

Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte I

Para o Vietnã, 2025 foi um ano marcante. É o que dizem os especialistas em café ouvidos pelos meios de comunicação do país e o que revelam os números recordes, tanto em volume produzido quanto em valor adquirido nas exportações do grão. Neste cenário, o maior produtor de robustas do mundo têm renovado cafezais e investido em sustentabilidade, o que está melhorando a qualidade dos robustas. Ao mesmo tempo, o país assiste ao crescimento do consumo interno da bebida e ao aumento das exportações de café instantâneo. Mesmo neste cenário promissor, há muitos desafios a superar. É o que mostramos na matéria a seguir, publicada em duas partes.

Alta produção

A expectativa da produção vietnamita para 2025/26 (de outubro de 2025 a setembro de 2026) foi revista, no início de dezembro, pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 30,8 milhões de sacas, sendo 29,6 milhões de robusta e 1,2 milhão de arábica. Já em meados de setembro, a Verso Investimentos havia projetado a colheita em 29,4 milhões de sacas – um volume 6% superior ao ciclo anterior, e o maior produzido desde 2021.

Mesmo com tufões e chuvas intensas no período de colheita, que prejudicaram parte das lavouras – especialmente nas Terras Altas Centrais, principal região cafeeira, no interior do país –, as condições climáticas recentes foram favoráveis à produção, e os agricultores, também estimulados pelos altos preços do café no mercado global, estão investindo na renovação de suas propriedades.

 Para especialistas, programas governamentais de replantio de café e projetos de cafés especiais têm contribuído para melhorar a qualidade dos robustas vietnamitas. Dados do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente do país mostram que o café ocupa uma área de quase 732 mil hectares, e em 20 mil hectares houve substituição de cafeeiros antigos por plantas mais resistentes. A USDA também inclui o uso crescente de fertilizantes nos cafezais.

De acordo com a VnCommex, plataforma B2B de serviços para o comércio de commodities, o elevado volume de produção de robustas sustenta o PIB agrícola do país: cerca de 600 mil famílias vivem da cultura — 95% delas pequenos produtores —, que gera aproximadamente 2,6 milhões de empregos. Para 2025-2026, a previsão de especialistas é que a produção cresça até 10%. A projeção segue, aliás, tendências históricas, que mostram um aumento constante na produtividade, impulsionado por melhores práticas agrícolas, variedades mais produtivas e resiliência climática.

Exportações recordes

De fato, os altos preços associados a fortes colheitas fizeram com que, nos últimos anos, o preço de venda dos cafés vietnamitas tenha atingido recordes históricos, com média de US$ 5.653 por tonelada, segundo a plataforma de análises de negócios Vietnam Briefing.

O volume de café exportado também atingiu patamar recorde. As estimativas para a safra 2024/25 (que acabou em setembro) apontam exportações de 25,2 milhões de sacas, enquanto, para 2025/26, o USDA projeta um volume de 27,3 milhões de sacas — somando café verde, torrado e instantâneo. O avanço de 7,7% em relação ao ciclo anterior ocorre após um ano que, segundo a Associação Vietnamita de Café e Cacau (Vicofa), já havia registrado o maior volume exportado da história do país.

Dados do Departamento Geral das Alfândegas divulgados em 19 de dezembro pelo site Vietnamnet, um dos principais portais de notícias do Vietnã, indicam que o café teve o maior crescimento entre as principais exportações agrícolas do país até novembro: foram 1,4 milhão de toneladas embarcadas, gerando US$ 7,94 bilhões – um aumento de 15,1% em volume e de 38,9% em valor (em comparação com o mesmo período de 2024).

Ampliação de mercados

A Alemanha é o maior mercado consumidor de cafés do Vietnã – foram 3,2 milhões de sacas compradas este ano, abocanhando 60% das exportações à União Europeia – seguido por Itália e Espanha.

A condição do país como “de baixo risco” na União Europeia e o adiamento de um ano para a entrada em vigor da EUDR favorecem as exportações do país.

A designação de “baixo risco” permite que o café exportado para a UE passe por um processo de due diligence simplificado, com uma taxa de inspeção de conformidade de 1% – condição bem mais favorável do que a concedida para o Brasil e a Indonésia.

Mesmo com uma queda de envio de café aos EUA de 3%, as exportações para o país podem voltar a crescer após a redução de tarifas (que estavam em 20%) anunciada em novembro pelo governo americano.

De acordo com declarações da Vicofa ao jornal Dan Tri, em novembro, os importadores americanos querem ampliar as compras de cafés especiais vietnamitas, especialmente de robustas, que vêm despertando interesse crescente entre os torrefadores dos EUA.

Mercados asiáticos também ganham importância como destinos dos grãos vietnamitas: países como Cambodja, China, Coreia do Sul, Filipinas e Indonésia aparecem entre os mercados em crescimento, de acordo com dados de autoridades e organizações de comércio.

Em julho, por exemplo, as exportações de café para o Camboja dispararam, atingindo 713 toneladas no valor de US$ 2,7 milhões, um aumento de 406% em volume e 460% em valor em comparação com julho de 2024, informou o Departamento Geral de Alfândegas do Vietnã ao jornal Viêt Nam News em setembro. Entre janeiro e julho, os embarques alcançaram 2.231 toneladas, no valor de US$ 10 milhões, um aumento de 78% em volume e 114% em valor em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

 

 

 

Fonte: cafe point