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sbado, 14 de dezembro de 2019
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Operação prende suspeitos de investir em imóveis da milícia na Muzema, no Rio

Operação prende suspeitos de investir em imóveis da milícia na Muzema, no Rio

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do RJ prendeu nesta terça-feira (16) suspeitos de investir na construção de imóveis irregulares da milícia que age na Muzema e em outras localidades da Zona Oeste do Rio.

Há três meses, na Muzema, dois prédios irregulares desmoronaram, matando 24 pessoas. O grupo paramilitar que os ergueu age ainda em Rio das Pedras, Anil e Gardênia Azul.

Até as 9h20, 11 pessoas haviam sido presas – uma delas no Piauí. Outras seis são procuradas.

Um dos alvos principais é Bruno Cancella. Ele foi preso em casa, na Freguesia, em Jacarepaguá. Segundo as investigações, ele movimentou R$ 24,9 milhões para a milícia em quatro anos.

A mulher de Bruno, Letícia Champion Ballalai Cancella, também é investigada. Letícia trabalha no setor de IPTU da Prefeitura do Rio e é suspeita de ter facilitado os registros dos imóveis no cadastro do imposto. A Justiça não concedeu a prisão dela.

Bruno Pupe Cancella, um dos presos em operação contra a milícia, chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/GloboNewsBruno Pupe Cancella, um dos presos em operação contra a milícia, chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/GloboNews

Bruno Pupe Cancella, um dos presos em operação contra a milícia, chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/GloboNews

Empresas suspensas

Os 17 mandados de prisão foram expedidos pela 33ª Vara Criminal, que também deferiu a suspensão cautelar das atividades de duas empresas:

  1. BLX Serviço de Engenharia Ltda;
  2. Manuel Containers Andaimes Rio Eireli – Rio Containers.

PRESOS JÁ IDENTIFICADOS

  1. Breno Boffelli de Souza, 39 anos; preso no Recreio dos Bandeirantes;
  2. Bruno Pupe Cancella, 38 anos; preso na Freguesia, em Jacarepaguá;
  3. Fernando Vieira de Brito, 46 anos, preso no Piauí;
  4. Leonardo Igrejas Esteves Borges, 40 anos; preso em casa, na Barra da Tijuca;
  5. Manuel Henriques da Silva Júnior, 79 anos; preso em Jacarepaguá;

Outros seis ainda não foram identificados.

 Leonardo Igrejas Esteves Borges chega à Cidade da Polícia — Foto: Narayanna Borges/GloboNews Leonardo Igrejas Esteves Borges chega à Cidade da Polícia — Foto: Narayanna Borges/GloboNews

Leonardo Igrejas Esteves Borges chega à Cidade da Polícia — Foto: Narayanna Borges/GloboNews

Manuel Henriques da Silva Júnior chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/TV GloboManuel Henriques da Silva Júnior chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/TV Globo

Manuel Henriques da Silva Júnior chega à Cidade da Polícia — Foto: Reprodução/TV Globo

Ao todo, o MP denunciou 27 pessoas pelos seguintes crimes:

  • Organização criminosa;
  • Ocupação;
  • Loteamento;
  • Construção, venda, locação e financiamento ilegais de imóveis;
  • Ligações clandestinas de água e energia elétrica;
  • Corrupção de agentes públicos.

As investigações começaram em 2014, a partir de uma denúncia de desmatamento e ocupação irregular. Desde então, 7 mil metros quadrados de Mata Atlântica foram derrubados.

‘Sócios ocultos’

Em entrevista exclusiva ao G1, o delegado Gabriel Ferrando, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), já havia alertado para a tática dos paramilitares de recorrer a “sócios ocultos”.

“A milícia já vem numa fase, atualmente, de evitar uma exposição e responsabilização e isso gerou com que eles [milicianos] se escondessem cada vez mais, tentando ocultar bens, vender propriedades, tudo para fugir de uma eventual responsabilização criminosa”, explicou.

Ainda segundo Ferrando, a polícia quer identificar as pessoas que proporcionam lucros a esses grupos.

“A ideia é olhar o problema sobre outro enfoque. É verificar quem são essas pessoas que estão associadas à milícia, quem é um sócio oculto, quem viabiliza o financiamento pra organização criminosa.”

O delegado acrescentou que são pessoas que “sequer pensavam que poderiam ser responsabilizadas.”

A tragédia da Muzema

Os imóveis, de cinco andares, ficavam no Condomínio Figueiras do Itanhangá. A Prefeitura do Rio afirmou, à época, que chegou a interditá-los em duas ocasiões

O desmoronamento ocorreu dias depois de uma forte chuva.

Desabamento de prédios na Muzema, no Rio — Foto: AP Photo/Renato SpyrroDesabamento de prédios na Muzema, no Rio — Foto: AP Photo/Renato Spyrro

Desabamento de prédios na Muzema, no Rio — Foto: AP Photo/Renato Spyrro

Dois suspeitos de envolvimento na venda dos apartamentos foram presos, e um está foragido.

  • José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo: o homem apontado como construtor dos dois prédios segue foragido. Testemunhas o reconheceram.
  • Renato Siqueira Ribeiro: preso na última sexta-feira (5) em Nova Friburgo, na Região Serrana. Segundo a polícia, ele mudou de residência diversas vezes, já com investigadores em seu rastro.
  • Rafael Gomes da Costa: preso ao se entregar na 14ª DP (Leblon) no dia 18 de maio.

Decretada a prisão dos suspeitos de vender apartamentos dos prédios que desabaram — Foto: Rede GloboDecretada a prisão dos suspeitos de vender apartamentos dos prédios que desabaram — Foto: Rede Globo

Decretada a prisão dos suspeitos de vender apartamentos dos prédios que desabaram — Foto: Rede Globo

Desmonte parou na Justiça

A Prefeitura do Rio determinou a demolição de toda a linha de prédios na rua do desabamento, mas no fim de junho a Justiça mandou parar os trabalhos.

Dois relatórios da Prefeitura do Rio entregues à Justiça depois disso apontavam riscos estruturais e geológicos no condomínio.

Os documentos alertavam para “severos processos erosivos” no terreno e para “vícios e patologias decorrentes de ignorância das normas” na construção.

Fonte: G1




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