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ES é o 10º estado onde mais morrem crianças e adolescentes por arma de fogo

ES é o 10º estado onde mais morrem crianças e adolescentes por arma de fogo

O Espírito Santo é o 10º estado brasileiro com mais mais mortes de crianças e adolescentes por arma de fogo. Os dados fazem parte de um estudo divulgado na quarta-feira (20), pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O período analisado é de 1997 e 2016.

Durante os anos de análise, 5.644 crianças e adolescentes foram mortos por armas de fogo no estado. Entre as causas: homicídio, suicídio, acidentes e indeterminadas.

Nos assassinatos de adolescentes, 70% das motivações estão ligadas ao tráfico de drogas, tanto de usuários quanto de traficantes, segundo o especialista de segurança pública Henrique Herkenhoff.

Herkenhoff, que é professor de mestrado na área, explica que existe uma mudança no perfil das mortes desde que os dados começaram a ser analisados.

“Nas décadas de 1980 e 1990 a gente tinha grupos de extermínios de menores que matavam por conta do envolvimento desses adolescentes com furtos e roubos. Atualmente, essas vítimas decorrem do envolvimento com tráfico de drogas”, explica o especialista.

Segundo o professor, estudos apontam a relação dessas mortes com a evasão escolar e envolvimento com tráfico de drogas. Para mudar essa realidade ele acredita que o poder público deveria investir em escolas de tempo integral desde as séries iniciais, com atividades lúdicas que interessem os estudantes.

“Notamos que a evasão escolar e o envolvimento com esse tipo de crime acontecem no Ensino Fundamental II e não no Ensino Médio. Dessa forma, a escola integral precisa ser mais atrativa e ser estendida para essas séries finais do fundamental. Dinheiro para a educação nunca é mal gasto”, diz Herkenhoff.

Flexibilização da posse de arma

Sobre a discussão da flexibilização da posse e do porte de arma proposta pelo Governo Federal, o especialista se diz contrário e afirma que isso irá contribuir para armar os criminosos e aumentar o índice de mortes de crianças e adolescentes por armas de fogo.

“Certamente vai aumentar, é uma ilusão achar que um cidadão comum vai saber usar tão bem uma arma quanto um policial. A gente se assusta quando vê apreensão de fuzil, mas 98% das armas utilizadas em crimes no Brasil foram fabricadas legalmente, dentro do país, que em algum momento foram roubadas, perdidas e acabaram na mãos dos criminosos”.

Para o Herkenhoff, voltar com a comercialização dessas armas é questão de tempo até que elas estejam com os criminosos.

“É uma questão de tempo até aumentar o arsenal dos criminosos e acabaremos sendo assaltados com as nossas próprias armas. Além disso, tendo uma arma em casa o seu filho pode não ter maturidade necessária para usá-la”.

Levantamento

Os números do levantamento elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com o objetivo também de ajudar a entender como essas mortes afetam a saúde pública.

O estudo revela que nos últimos 20 anos, mais de 145 mil pessoas com idades entre zero e 19 anos, morreram em consequência de disparos, acidentais ou intencionais, de armas de fogo. Isso representa uma morte a cada 60 minutos.

Os dados usados no levantamento são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Em 2016 (ano mais recente disponível), foram registrados 9.517 óbitos. O número é o dobro do identificado há 20 anos, quando foram registrados 4.846 casos, em 1997.

De acordo com os últimos dados oficiais disponibilizados, 45% do volume total de óbitos em 2016 ficou concentrado em estados da região Nordeste. Outros 26% dos casos ficaram no Sudeste e o restante foram divididos entre o Centro-Oeste (8%), Norte e Sul (ambos com 10%).

Veja a distribuição das mortes de crianças e adolescentes por região
Os dados são de mortes por arma de fogo no levantamento da SBP, em 2016.
Nordeste : 45Sudeste : 26Sul: 10Norte: 10Centro-Oeste: 8

Sudeste
Regiões 26
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Internação

Além de calcular o impacto dos disparos com armas de fogo na mortalidade da população brasileira de zero a 19 anos, o levantamento da SBP também aponta o impacto negativo dessa situação para a saúde desse grupo e a sobrecarga que provoca nos serviços de assistência, em especial nos prontos-socorros e nas alas de internação dos hospitais.

Segundo a análise, a cada duas horas, em média, uma criança ou adolescente dá entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento por disparo de algum tipo de arma.

Entre 1999 e 2018, foram registradas mais de 95,7 mil internações de vítimas graves decorrentes de acidentes, tentativas de homicídios ou de suicídio envolvendo armas de fogo de pessoas da faixa etária do levantamento.

Nesse período, é possível verificar que 82% das internações envolveram vítimas com idade entre 15 e 19 anos, sendo menor a frequência nas faixas etárias que vão de 10 a 14 anos (11%), de cinco a nove anos (4%) e em menores de quatro anos (3%). Quase 90% das vítimas eram do sexo masculino.

Causas dos disparos

O números mostram que a principal causa de mortes por armas de fogo na faixa etária analisada está relacionada a homicídios (94%), intenções indeterminadas (4%), os suicídios (2%) e os acidentes (1%).

Nas internações hospitalares por ferimentos com armas de fogo, as tentativas de homicídio são 67% e acidentes são 26%.

Fonte: Agência Brasil

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